terça-feira, 20 de novembro de 2007

Fresta


"Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem.

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado.

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração. "


Fernando Pessoa

(foto: autor desconhecido)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Almas gémeas...


"As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se, sentem-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar. O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É poder descansar dessa demanda.O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra forma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. No beijo. Quando duas almas gémeas se abraçam e se beijam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perderamos desde a nascença. As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos."


Alguém que se faz aparecer por ninguém
(foto: autor desconhecido)

sábado, 17 de novembro de 2007

Onde o tempo não tem fim...

Sem tempo para ter tempo...
Até breve,

Ela*****

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Num dia como hoje...


Escuro…
Olhar pesado...
O brilho de uma estrela que espreita pela janela…
Aperto-me contra os joelhos, colando-lhes o queixo e a testa.
Fecho os olhos e fico assim.
Sinto o calor de uma gota de saudade… Escuto quem sou.
Sinto… Mas já não sei sentir.
Finjo estar tudo bem...
O tempo não quer passar.
Continuo às voltas com o sossego...
Não vou precisar de me esconder porque ninguém me vai encontrar.
Até breve,

Ela*****
(foto: autor desconhecido)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Momentos...


Encontrar-te-ei no dia em que fechar os olhos e desistir de te procurar...

És tu? Segue-me... Fecha os olhos e olha-me.

Corro atrás do que será ser feliz, apenas...

Até breve,
Ela*****

(foto: autor desconhecido)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Why?

Nasci num dia de porquês...
Não tenho dúvidas!!

Até breve,

Ela*****

(foto própria)

domingo, 11 de novembro de 2007

Em vão...


"Procurar-te-ei até te encontrar mesmo que só te encontre em corpos onde tu não estás."


Dizem que é de Al Berto
(foto: autor desconhecido)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A ti que me carregas no ventre...


Hoje acordei com uma vontade imersa em correr para ti.
Falei contigo antes de dormir, adormeci a pensar em ti, inexplicavelmente sonhei contigo... Acordei e vi-te, estavas bem ali do meu lado. Fechei os olhos e voltei a abri-los para ter e certeza de que eras mesmo tu. Entristeci... Tudo não tinha passado de um sonho.
Lembro-de de pela noite dentro te ver chegar com o Pai.
Ai, como a minha imaginação divaga por aí...
Sim sinto-te longe, mas ao mesmo tempo, consigo inalar o teu perfume em cada instante. Imagino como será fundir-me em ti aquando da chegada.
Surpreender-te-ei...
Vejo a minha sombra a correr na tua direcção (estarás na cozinha, concerteza), envolvo-te nos meus pequenos braços e sei... Sei que vou sentir o calor de uma lágrima tua. Vou chorar contigo. Chorar de alegria por saber que estou de volta.
Sabes, lembro-me tantas vezes daquelas noites (quase todas) em que nos deitavamos as 3 no sofá (eu, tu e a mana) e ficavamos ali a conversar, a ver TV ou simplesmente a trocar o nosso mimo. Que saudades desses momentos... E quando eu ficava contigo, só para te fazer companhia enquanto vias os teus filmes ou as tuas telenovelas, e te dizia que não ia adormecer ali, mas minutos depois os meus olhos se fechavam como por magia, lembras-te Mãe?
Saudade...
Cabisbaixa me encontro hoje. Encontro-me no sonho de poder rever-te. Daria tudo para te poder dar apenas um beijo neste teu dia, nem que logo de seguida voltasse para esta pequena mistura de mundo que é sentir-me rodeada de pessoas e um tanto de solidão.
Tenho a certeza que logo à noite, enquanto fizeres o jantar (ou se fores jantar a algum sítio com o muito que nos completa) vais entristecer. Falta uma face do pequeno cubo, tão enorme, de apenas 4 faces que nos une como inseparáveis. O meu prato estará na mesa, e eu estarei lá... Só que ninguém me conseguirá ver.
Tenho tanto para te dizer Mãe. Mas nao sai...
Vive por nós um resto de dia feliz...
(tudo isto para te dizer que te amo e que não te troco por nada)
Parabéns à minha Mãe. Parabéns à Mãe que desejava para todos. E parabéns à minha avozinha que neste dia me deu uma três melhores coisas da minha vida.

Da filha, da pequena filha fica um beijo...
Até breve,




Ela*****
(foto própria)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Ser Feliz...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma critica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"

Fernando Pessoa

domingo, 4 de novembro de 2007

Chuva


"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade"


MARIZA

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Perto do infinito


O prometido seria voltar... E a promessa está cada dia mais próxima.. Enquanto que para muitos a leveza da rotina continuou igual e entediante, outros jamais me lembraram, alguns nem sentiram a ausência da minha presença, muitos... Para mim não foi leve, doeu.. Ri, sorri, chorei, conquistei, enriqueci, conheci, ganhei... Mas nunca perdi.. Dentro de todos os picos fui eu mesma, sempre.. Procuro levar na bagagem tudo o que consegui recolher. Levo os amigos, o conhecimento, a experiência, os bons e os maus momentos, a novidade, a cultura, o povo, o samba que me fez torcer o pé e o forró que me provocou uma bolha, todas as lágrimas dentro e fora das quatro paredes que envolvem o meu temporário recanto aqui. A praia, ahh a praia... O descanso de olhar o invisível.Mas... Algo me enlouquece.. Sim quero chegar, quero reencontrar, abraçar, sentir de volta tudo o que me pertence. No entanto assusta-me o que poderei encontrar ou não reencontrar... Corro para uma vida nova, subo mais um degrau das escadas que me levarão ao meu infinito. O risco é grande, o sonho é maior. Vou caminhar na direcção que eu quero, e não na que me é oferecida.. O perigo não me assusta e certamente não irei sozinha... Aguardo ansiosamente... Até breve a uns, até um dia a outros... Saudade (não esqueci o que me pertence ou um dia pertenceu)...À minha irmã, aos meus pais, avós, restante família... Aos que me esperam... Aos amigos, aos conhecidos, a todos os que gostam de mim, e igualmente aos que me invejam.. Também aos que não gostam... A todos.. A MIM*


Até breve,

Ela*****
(foto própria)